quarta-feira, 16 de março de 2016

PROCESSOS ALQUÍMICOS

O quádruplo globo rege essa obra do fogo". 
Michael Maier, Atalanta fugiens, Oppenheim, 1618, emblema XVII.


A transmutação é um conceito importante da alquimia, qual a transformação da matéria tem como objetivo se conseguir produzir a Pedra Filosofal. Em seu procedimento, os alquimistas teorizaram quatro estágios para essa operação.

Representam em ordem a transformação da matéria, começando pela corrosão do que ela era, fazendo com que ela deixe de ser o que era. Em seguida, ela passaria por uma espécie de transformação, uma mutação ou metamorfose, onde se chegaria próxima a perfeição e por fim na perfeição da Pedra Filosofal. Estas todas são as etapas da Opus Magnum, o preparo da Pedra Filosofal.

Os quatro são, respectivamente, o nigredo, albedo, citrinitas e rubedo:

Nigredo: A Operação Negra, ou simplesmente nigredo, seria a primeira etapa da Opus Magna, a arte se chegar ao Mercúrio dos Filósofos. Nesse estágio a matéria e dissolvida, entra em putrefação. É o primeito estado da alquimia, qual designavam a morte espiritual, onde a matéria "deixa de ser".

Albedo: Em seguida temos a Operação Branca, chamada albedo, a segunda etapa. Nesse estágio a substância é purificada, passando por um processo de purificação e dissipações até chegar a ser uma substância pura.

Citrinitas:
 Depois se tem a Operação Amarela, ou critinitas, a terceira etapa. Nesse estágio ocorre a conversão da prata em ouro em sentido literal, o chamado despertar da matéria. O processo se encontra quase concluído, faltando chegar em sua excelência.

Rubedo: Por fim há a Operação Vermelha, também chamada de rubedo, a quarta e última etapa. Nela se conclui a Opus Magna, o culminar da obra ou casamento alquímico. É a iluminação, quando a Pedra Filosofal está obtida e sua transformação se conclui.





Essas quatro etapas podem apresentar tanto sentido literal como figurado, pois embora a alquimia tivesse caráter científico, era também uma tradição filosófica. A transformação não ocorre só na matéria física, mais também no espírito de seu operador, internamente.

Com isso podemos dizer que do nigredo ao rubedo pode não ser apenas uma metodologia de procedimentos físicos, e sim, também, um desenvolvimento metódico do desenvolvimento racional do praticante, indo do reconhecimento de seus enganos até a iluminação espiritual por perfeição.

Fonte: Opera Magna



domingo, 28 de junho de 2015

LINGUAGEM ALQUÍMICA

CÓDIGO SECRETO

Basta que nós nos desfaçamos das amarras linguísticas que nos prendem a essa falsa realidade, elevar a mente, e reler tais contos de outro modo.


Para um alquimista, encontrar a Pedra Filosofal era o seu principal objetivo. Com ela, era possível transformar qualquer metal em puro ouro, bem como obter o elixir da longa vida. Chamada de ‘A Grande Obra’, a Pedra Filosofal nada mais é do que a busca da elevação do caráter, a busca da elevação espiritual. A transmutação dos metais inferiores em ouro é a transformação de si próprio de um estado inferior para um estado espiritual superior, é lapidar a pedra bruta até que o chumbo do ego se torne o ouro da essência…

 Os seres humanos estão constantemente tentando formular concepções sobre o mundo, e por meio das artes, da ciência, e dos mitos, tentam estruturar o mundo de maneira que faça sentido para eles. Essas tentativas de objetificar a sua realidade através de símbolos acaba dotando-os de caráter subjetivo. Palavras, nomes, conceitos, ideias, idiomas inteiros… são apenas concepções de coisas, ativadas na mente por uma forma previamente selecionada dotada de significado para representar o mundo, e que podem ser compartilhados com os outros.

 Contudo, eles não são a realidade, mas sim a representação da realidade, assim como quando olhamos um espelho. O que vemos através dele não é o mundo, mas a representação do mundo. Eles são apenas “ferramentas” que os seres humanos usam para captar e compreender o que está na realidade. A própria ciência se utiliza de construtos simbólicos para estabelecer ligações concretas entre o mundo subjetivo e o objetivo, porém, tais construtos são imperfeitos.

O símbolo se contrapõe ao signo da linguagem conceitual em toda uma série de planos. Ele é arbitrário em sua relação com o que significa, ou, como preferem os linguistas, ele é duplo. Possui duas faces:  significante e significado. O liame entre esses dois aspectos é, para cada signo tomado isoladamente, inteiramente arbitrário, pois faz referência a uma realidade exterior a si.

Um signo só tem valor significante devido a sua relação com os outros, por sua inclusão num sistema geral. Nesse conjunto estruturado, o que era significado até um certo nível de abstração, agora pode funcionar como significante, nem outro nível mais elevado. Contudo, ele não é circunscrito a ele mesmo. Serão seus intérpretes que definirão a sua delimitação.

A metáfora é uma forma de construção criativa, que confia na falsidade construtiva como meio para libertar a imaginação, servindo para gerar uma imagem para o estudo de um objeto. O processo metafórico é um modo básico de simbolismo, mas não o único, porém, central para o modo como os humanos modelam sua experiência e seu conhecimento de mundo. Mais que um mero artifício literário, ela produz seus efeitos ela interseção ou sobreposição de imagens, atuando como geradora de um novo sentido.

A alquimia está repleta de simbolismos e metáforas, bem como os mitos e os contos de fadas. Nestes dois últimos, podemos vislumbrar algumas das lições da alquimia, travestidas de funções pedagógicas, afinal, simbolicamente ou não (tanto), eles criam modelos exemplares para toda uma sociedade através de seus heróis.

Contudo, basta que nós nos desfaçamos das amarras linguísticas que nos prendem a essa falsa realidade, elevar a mente, e reler tais contos de outro modo.  O texto será o mesmo, e seu conteúdo, também o mesmo. Só veremos o que sempre esteve diante dos nossos olhos mas, por causa de nossa própria vontade, éramos impedidos de enxergar.

Não se trata de decifrar uma mensagem a partir de um código conhecido, para restituir-lhe o sentido, e sim, a partir de uma mensagem determinada, encontrar o código secreto no qual ela se funda e que comandou a sua emissão.

Por Aoi Kuwan
Postagem: Coelestium


sexta-feira, 26 de junho de 2015

PARACELSO - HOMEOPATIA, MITO E LENDA DOS ELEMENTAIS


 Louco, Mago ou Visionário?

Paracelso é o pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus Von, médico, alquimista, físico e astrólogo, fundador da bioquímica. Um visionário da medicina homeopática.

Seu pai, Wilhelm Bombast era médico e alquimista e seu avô, Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros de São João. Era um homem gago, de baixa estatura e corcunda que, aos três anos de idade perdeu sua genital devido ao ataque de um porco.

Seu pai, por ser médico e alquimista, manipulava ervas usadas para curar os enfermos, dessa maneira tomou gosto pela alquimia e a medicina.
Como médico, viajou muito e por onde passou foi adquirindo conhecimentos sobre a manipulação de produtos químicos. Conhecido como "o médico dos pobres". 

Foi o cientista mais polêmico que se têm notícia, considerado um louco, mágico ou demente, seu trabalhou foi classificado por muitos, como não científico.
Enquanto para muitos alquimistas o sonho era transformar metal em ouro, Paracelso utilizou a alquimia para criar medicamentos.

Paracelso morreu aos 47 anos de idade, após ter sido internado em uma clinica, enlouquecido e afirmando ter fabricado o Elixir da vida, a causa da morte não é certa, mas dizem que foi devido a uma infecção causada por um ferimento.
Deixou uma coleção de tratados médicos e trinta e dois artigos e ilustrações, com previsões até o ano de 2106.


terça-feira, 23 de junho de 2015

MALCOLM X - O CHUMBO TRANSFORMADO EM OURO


Al Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X, um libertador que fez de suas debilidades a sua vitória.

De bandido/traficante, Malcolm X se eleva, muda o pensamento e vira ícone mundial do movimento negro. Reconhece sua essência Divina e a deixa manifestar. 

Isso é ALQUIMIA!

Leia no PLANETA AURORA o artigo assinado por Davi Coimbra e tire suas próprias conclusões.



"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos."


"Você só vai conseguir a sua liberdade se deixar o seu inimigo saber que você não está fazendo nada para conquistá-la. Esta é a única maneira de conseguir a liberdade."


"Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos."


"Não estou me manifestando contra os brancos sinceros quando digo que, como membros de organizações pretas, geralmente a própria presença dos brancos sutilmente torna as organizações pretas automaticamente menos eficazes. Mesmo a presença dos melhores homens brancos dificulta a descoberta pelos negros do que precisam fazer e particularmente do que podem fazer... por si mesmos, trabalhando para si mesmos, entre a sua própria espécie, em suas próprias comunidades."


"Neste país o negro é tratado como animal e os animais não têm sobrenome."



"Qualquer um que queira me seguir e ao meu movimento tem que estar pronto a ir para a cadeia, hospital ou cemitério, antes de poder ser realmente livre."

Malcolm X



Frases: pt.wikiquote.org/wiki/Malcolm_X



quarta-feira, 3 de junho de 2015

JORNADA MÍSTICA - TRANSFORME EM UM BUSCADOR E NÃO UM SEDUZIDO PELO O "OURO DOS TOLOS" -


A ALQUIMIA INTERIOR

FRC Aleph

Introdução
Na Idade Média, surgiram escritos ocultistas correlacionados a alquimia, advindos de sociedades secretas que diziam ter conseguido a reprodução da Pedra Filosofal, bem como a confecção do Elixir da Longa Vida. Tais sociedades, muitas vezes grafavam em pranchas iconoclásticas e em textos simbólicos, os procedimentos descritivos das vias, dos processos e elementos utilizados para atingir a Magnum Opera, tentando dar um caminho gnósticos a possíveis buscadores, de forma a isolar os chamados sopradores. Estes registros se tornaram muitas vezes indescritíveis para o leigo, parecendo até mesmo para sérios estudiosos ocultistas, verdadeiros solilóquios indecifráveis, ou grandes embustes.

A maneira descritiva dos alquimistas medievais revelava um caminho solitário, fruto do desvelamento místico que o buscador opera na medida em que se aproxima do encontro com o Sagrado Anjo Guardião. Neste encontro, o simbolismo místico interior, flui por sua própria via, desvelando para a consciência objetiva, o trabalho alquímico subjetivo de retorno a fonte de vida universal. A este processo, Carl Gustave Jung chamou de individuação, termo psicológico que representa a transcendência da consciência para os planos do inconsciente coletivo, identificando-se com os arquétipos originais, que encontram no indivíduo um canal de desvelamento próprio na constituição do chamado Self.

Vitriol

Esta dialética entre consciência e inconsciência, foi registrada continuamente pelos alquimistas medievais e se tornava uma linguagem obscura para aqueles que não compreendiam os princípios básicos alquímicos. O Ser Humano se transformou no sagrado cadinho, contendo os 7 elementos alquímicos, que através das influências cósmicas, experimenta no viver e nas relações propiciadas por ela, as diversas formas de manifestação de seu Ego, transmutando-se na Pedra Filosofal que tudo sublima. Foi a este processo que Basile Valetim batizou de V.I.T.R.I.O.L..

A PEDRA FILOSOFAL


Hermes, a Grande PEDRA


Os alquimistas tentavam produzir em laboratório a pedra filosofal (ou mercúrio dos filósofos, entre muitos outros nomes) a partir de matéria-prima mais grosseira. Com esta pedra seria possível obter a transmutação dos metais e o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado por eles de "A Grande Obra".

Considera-se que o trabalho de laboratório dos alquimistas medievais com os "metais" era, na verdade, uma metáfora para a verdadeira natureza espiritual da alquimia. Assim, a transformação dos metais em ouro pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para um estado espiritual superior.

A pedra filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e entre eles destaca-se Paracelso.

A busca pela pedra filosofal é, em certo sentido, semelhante a busca pelo Santo Graal das lendas arturianas. Em seu romance "Parsifal", escrito entre os anos de 1210 e 1220, Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes inimagináveis. Também na cultura islâmica desempenha papel importante uma pedra, chamada Hajar el Aswad, que é guardada dentro de uma construção chamada de Kaaba, considerada sagrada, e que é cultuada em Meca.

O Processo Alquímico

O processo alquímico é o principal trabalho dos alquimistas (frequentemente chamado de "A Grande Obra"). Trata-se da manipulação dos metais, e da fabricação da pedra filosofal. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outros, o orvalho, o sal, o mercúrio e o enxofre. De um modo geral, o processo alquímico é descrito de forma velada usando-se uma complicada simbologia que inclui símbolos astrológicos, animais e figuras enigmáticas.
O orvalho é utilizado para umedecer ou banhar a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha".

O sal, também conhecido por arsênico, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma.

A linguagem dos textos alquímicos com freqüência faz uso de imagens sexuais. E não é muito incomum que a ligação de elementos seja comparada a um "coito". Normalmente este casamento é associado à morte, e é representado, com freqüência, ocorrendo dentro de um sarcófago.

Enquanto a união de ambos os elementos é representada por um "casamento" ou "coito", o combate entre o enxofre e o mercúrio, entre o fixo e o volátil, entre o masculino e o feminino é comumente representado pela luta entre o dragão alado e o dragão áptero.
Também é muito freqüente o uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica. Associam-se os planetas da astrologia com os elementos da seguinte forma:

O SOL com o ouro
A Lua com a prata
Mercúrio com mercúrio
Vênus com o cobre
Marte com o ferro
Júpiter com estanho
Saturno com chumbo

Animais são usados pelos alquimistas para descrever o processo alquímico e os elementos envolvidos nele. Os antigos tinham como quatro os principais elementos, terra, água, ar e fogo, de forma que todos os outros poderiam ser obtidos pela combinação destes, em diferentes proporções. Normalmente, o unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra, o peixe para representar a água, pássaros para o ar, e a salamandra o fogo. O sal é normalmente representado pelo leão verde. O corvo simboliza a fase de putrefação do processo (associada ao calor e ao fogo), que assume uma cor escura. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermentação, fase muito freqüentemente citada pelos alquimistas no processo alquímico.

O trabalho alquímico está fundamentado em certos caminhos que devem ser seguidos. Na alquimia existem dois caminhos principais: a via úmida (pois trabalha com o orvalho) e a via seca. A via úmida é considerada um processo lento, mas que oferece menos riscos.




O Homúnculo

Talvez uma das mais interessantes idéias dos alquimistas seja a criação de vida humana a partir de materiais inanimados. Não se pode duvidar da influência que a tradição judaica teve neste aspecto, pois na cabala existe a possibilidade de dar vida a um ser artificial, o Golem. 

O conceito do homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelsus para designar uma criatura que tinha cerca de 12 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada por meio de sémen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. 

Então, segundo ele, se formaria o embrião. Outro nome a um ser criado artificialmente é Quimera

Legado nos nossos Dias

A alquimia medieval acabou fundando, com seus estudos sobre os metais, as bases da química moderna. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico. Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso "banho-maria", devido a uma alquimista chamada Maria, a Judia. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear.

A psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia. Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho espiritual. Mas com certeza a maior influência da alquimia foi nas chamadas ciências ocultas. Não há ramo do ocultismo ocidental que não tenha recebido alguma idéia da alquimia, e que não a referencie.

Acima de tudo, a alquimia deixou uma mensagem poderosa de busca pela perfeição. Em um mundo tomado pelo culto ao dinheiro a à aparência exterior, em que pouco o homem busca a si próprio e ao seu íntimo, as vozes dos antigos alquimistas aparecem como um chamado para que o homem reencontre seu lado espiritual e superior.

Fonte: Ocultura




ALQUIMIA DA ALMA


"O verdadeiro ALQUIMISTA é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto. É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias atuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência a muito tempo perdeu este caminho."


Continue lendo, em SABER  - no índice do ALQUIMIA -,  o artigo da frase acima que também diz: "Ao longo do tempo, diversos alquimistas descobriram que a verdadeira transmutação ocorria no próprio homem, numa espécie de Alquimia da Alma; diversos outros permaneceram na busca sem sucesso do processo de transformações de metais menos nobres em ouro; afirma-se que alguns mestres atingiram seus objetivos." Postado em Mistérios Antigos.



*
E Saint-Exupéry29, ao falar de sua experiência no correio aéreo para a América do Sul nos anos 20 do século XX, escreveu:

“Mais coisa sobre nós mesmos nos ensina a terra que todos os livros. Porque nos oferece resistência. Ao se medir com um obstáculo o homem aprende a se conhecer; para superá-lo, entretanto, ele precisa de ferramentas. Uma plaina, uma charrua. O camponês, em sua labuta, vai arrancando lentamente alguns segredos à natureza; e a verdade que ele obtém é universal. Assim o avião, ferramenta das linhas aéreas, envolve o homem em todos os velhos problemas.

Trago sempre nos olhos a imagem de minha primeira noite de vôo, na Argentina - uma noite escura onde apenas cintilavam, como estrelas, pequenas luzes perdidas na planície.

Cada uma dessas luzes marcava, no oceano da escuridão, o milagre de uma consciência. Sob aquele teto alguém lia, ou meditava, ou fazia confidências. Naquela outra casa alguém sondava o espaço ou se consumia em cálculos sobre a nebulosa de Andrômeda. Mais além seria, talvez, a hora do amor.

De longe em longe brilhavam esses fogos no campo, como que pedindo sustento. Até os mais discretos: o do poeta, o do professor, o do carpinteiro. Mas entre essas estrelas vivas, tantas janelas fechadas, tantas estrelas extintas, tantos homens adormecidos...

É preciso a gente tentar se reunir. É preciso a gente fazer um esforço para se comunicar com algumas dessas luzes que brilham, de longe em longe, ao longo da planura.”

(Terra dos Homens)

*Fonte: Aqui